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The Scrum #6
Opinião

Os Lobos de amanhã

Artigo escrito por: Redação

A formação de novos jogadores de rugby é essencial para o futuro do desporto em Portugal. Para além de fazer crescer a modalidade, vai formar os jogadores que um dia irão chegar à seleção nacional. É por isso de extrema importância que existam competições nacionais capazes de fomentar o crescimento sustentado de jogadores, dando-lhes minutos de jogo e oportunidades de evoluírem num ambiente competitivo.

Em Portugal, esse propósito é servido através dos campeonatos nacionais de sub-16 e sub-18. Até este ano, essas competições eram disputadas por cerca de 10 clubes, de onde se apuravam os seis melhores para a fase de campeão. Os restantes clubes disputavam competições regionais, que existiam um pouco por todo o país. No entanto, para a época 2025/26, a Federação Portuguesa de Rugby decidiu integrar todas as equipas na mesma competição, criando dois campeonatos nacionais com cerca de 30 equipas, divididas por quatro zonas (Norte/Centro, Sul A, Sul B e Sul C). O que aconteceu foi um desastre.

Credito: Luis Cabelo

Nenhum dos grupos terminou com as mesmas equipas com que foi anunciado inicialmente. Pelas nossas contas, seis equipas tiveram de se fundir porque não tinham jogadores suficientes para disputar as competições em que estavam inscritas, enquanto outras seis simplesmente desistiram das competições em que estavam inscritas. Para ajudar à confusão, tivemos três equipas que entraram nas competições com estas já em curso.

Isto fez com que algumas das equipas que já tinham disputado jogos os vissem anulados e que outras equipas tivessem de jogar duas vezes no espaço de dois dias para conseguirem disputar todas as partidas que tinham agendadas. Analisámos uma das equipas que disputou ambos os campeonatos nacionais de 2024/25 e 2025/26 (sub-16) e, na mesma altura do ano (primeiro fim de semana de novembro), tinha nove jogos disputados em 2024/25 e apenas três em 2025/26.

Não é preciso ser um génio para perceber o impacto da falta de minutos competitivos na formação dos jogadores em questão.

Para além disso, devido às desistências e fusões entre equipas, tivemos clubes que ficaram quase dois meses sem disputar uma partida oficial. Como se motivam jogadores a irem treinar quando não há uma competição para disputar? Como se exige que um jogador melhore e trabalhe no duro quando não tem uma plataforma para testar essa evolução?

Outro aspeto bastante detrimental neste novo modelo competitivo foi o desequilíbrio entre as equipas em prova. Em quase todas as jornadas tivemos uma equipa a chegar aos três dígitos, com a diferença entre pontos marcados e sofridos a ficar-se pelas largas dezenas. Estes jogos beneficiam quem? A resposta é ninguém! A equipa que ganha não aprende nada e a que perde aprende ainda menos, para não falar na desmotivação e no peso psicológico que um resultado destes acarreta. É assim que queremos motivar jovens a irem jogar rugby?

Por fim, a comunicação e divulgação destas competições é quase inexistente. Nós, no Linha de Ensaio, acompanhamos os campeonatos nacionais de sub-16 e sub-18 há três anos e penso que sejamos a única plataforma onde é possível saber os resultados dos jogos disputados e acompanhar as classificações das diferentes competições. E se a culpa do fiasco que é o novo formato competitivo é exclusiva da Federação Portuguesa de Rugby, o mesmo não se pode dizer da (falta de) comunicação das competições. Aqui os clubes têm de fazer mais e ajudar quem está disposto a divulgar a modalidade. Este ano, tivemos de obter os resultados das partidas através de mensagens de jogadores, familiares e treinadores, o que é claro que leva a bastantes erros da nossa parte. Para além disso, é quase impossível saber quando temos jogos cancelados ou adiados (este ano foram mais de 20).

Deixando de lado a análise aos últimos jogos dos Lobos para a segunda parte deste artigo e focarmo-nos em dois aspetos do pós-campeonato do mundo:

Credito: Luis Cabelo

Este desassossego nas competições internas vai ter certamente efeitos nas seleções nacionais. Nos campeonatos europeus de sub-18, há dois anos consecutivos que perdemos na primeira ronda contra a Chéquia – esse colosso do rugby mundial. Nos campeonatos europeus de sub-20, é verdade que somos campeões há dois anos consecutivos, mas numa competição sem a Espanha e a Geórgia…

É complicado ver um plano lógico e sustentado para a formação no rugby nacional e, a julgar pelas declarações do presidente da Federação numa entrevista relativamente recente, parece que há mais interesse em ir buscar jogadores luso-descendentes às equipas de formação francesas do que pensar e investir na formação dos clubes portugueses. É pena, porque existe bastante talento em Portugal que merece outro tipo de atenção por parte dos responsáveis do rugby português.

Credito: Luis Cabelo
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