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Portugal v Irlanda
Test Match

Portugal sofre maior derrota da sua história (7-106) frente à Irlanda.

Artigo escrito por: Nuno Madeira do O

O melhor: primeiras internacionalizações para quatro jogadores. A saber: Guilherme Costa, Martim Souto, Pedro Ferreira, e Francisco Almeida.

The best part: First international caps for four players. Namely: Guilherme Costa, Martim Souto, Pedro Ferreira, and Francisco Almeida.

O pior: Maior derrota de sempre da seleção nacional masculina, com 99 (!) pontos de diferença entre o que marcámos e o que sofremos. Se ganhar a esta Irlanda (mesmo sem 16 dos seus jogadores principais) era, à partida, quase impossível, ninguém esperava que a derrota acontecesse por esta margem. Que impacto terão estes números no rugby nacional só o futuro o dirá mas não será certamente nada de bom.

The not-so-good part: The biggest-ever defeat for the men’s national team, with a 99 (!) point difference between what we scored and what we conceded. Beating this Ireland side (even missing 16 of their main players) was almost impossible to begin with, but no one expected the defeat to come with this kind of margin. What impact these numbers will have on national rugby, only time will tell—but it certainly won’t be anything good.

Melhor em Campo: Nuno Sousa Guedes. A celebrar o regresso à seleção nacional após uma ausência de 18 meses, o fullback (que celebrou a sua 50ª internacionalização) foi o jogador em maior destaque por parte dos Lobos. Tentou agitar o jogo e conseguiu quebrar a linha defensiva irlandesa em várias situações. Marcou um grande ensaio (posteriormente anulado) e tentou sempre remar contra a maré, mesmo quando as coisas ficavam cada vez mais difíceis para os Lobos.

Player of the match: Nuno Sousa Guedes. Celebrating his return to the national team after an 18-month absence, the fullback (earning his 50th cap) was the standout player for the Lobos. He tried to spark the game and managed to break through the Irish defensive line several times. He scored a brilliant try (later disallowed) and constantly tried to fight the tide, even as things got increasingly difficult for the Lobos.

O melhor em campo do lado luso, Nuno Sousa Guedes. Credito: Luis Cabelo.

Sol a brilhar na mata do Jamor onde milhares de adeptos – irlandeses e portugueses – se dividiam entre a fan zone e vários picnics improvisados a partir de malas de carros, geleiras e mesas desdobráveis.

Com o preço dos bilhetes (média de €40 por entrada) a combinar com o preço da cerveja (€5.5 com a obrigatoriedade de comprar o tal copinho de plástico feito a pensar no Campeonato do Mundo de 2023 por outros €2), não era surpresa para ninguém que estivessem quase tantos adeptos irlandeses quanto portugueses a assistir à partida.

The sun was shining on the Jamor woods, where thousands of fans—Irish and Portuguese—split between the fan zone and various improvised picnics made from car trunks, coolers, and folding tables.

Quandos os hinos nacionais começaram a tocar – sem aviso prévio por parte do speaker de serviço – ainda entravam largas centenas de adeptos para o velhinho estádio nacional. Pontapé de saída, bola para trás e para a frente, e primeiro ensaio irlandês aos 52 segundos (!) de jogo. Portugal não conseguia suster a ofensiva irlandesa, falhando muitas placagens e abrindo muito espaços ao homem que invariavelmente vinha no ombro do carregador da bola.

A vergonha alheia de ver adeptos ainda a entrar para o estádio quando já estavam jogados 15 minutos da partida combinava com aquela que se tinha ao olhar para o resultado onde o marcador já assinalava 28 pontos marcados para a equipa visitante. Na bancada, alguém com um excelente sotaque irlandês gritou “get your shit together, Portugal!” e, quase que por artes mágicas, os Lobos conseguiram desenhar o seu primeiro movimento ofensivo de qualidade: excelente combinação entre Nuno Sousa Guedes e Vincent Pinto, com o primeiro a sentar o último defensor irlandês e a cruzar a linha de ensaio. Música dos Xutos & Pontapés a tocar na colunas do estádio nacional, euforia nas bancadas e um enorme balde de água gelada quando o árbitro anulou o ensaio devido a uma irregularidade durante a jogada.

Credito: Luis Cabelo

Para piorar as coisas, uma lesão aparatosa do capitão Tomás Appleton (votos de melhoras e uma recuperação rápida) forçou Simon Mannix a meter um dos dois ¾ (Gabriel Aviragnet) que estavam no banco de suplentes.  12 minutos depois, foi o mesmo Gabriel Aviragnet a sair lesionado o que forçou a entrada de um avançado para completar a linha de ¾.

To make things worse, a serious injury to captain Tomás Appleton (wishing him a speedy recovery) forced Simon Mannix to bring in one of the two backs (Gabriel Aviragnet) who were on the bench. Twelve minutes later, the same Gabriel Aviragnet went off injured, which forced the entry of a forward to fill in the backline.

Desde esse momento até ao fim da primeira parte, Portugal não mais conseguiu incomodar a defensiva irlandesa que continuou a marcar. Ao intervalo, o marcador assinalava um pesado 0-54 e, nas bancadas, nem os irlandeses pareciam felizes com o que se passava em campo.


From that moment until the end of the first half, Portugal was no longer able to trouble the Irish defense, which kept scoring. At halftime, the scoreboard showed a crushing 0-54, and in the stands, even the Irish fans didn’t seem happy with what was happening on the pitch.

Os Lobos entraram para a segunda parte com vontade de mudar as coisas, mas foi de novo a Irlanda a marcar. Foram mais dois ensaios sem resposta até que Portugal conseguiu pontuar pela primeira vez: boa linha ofensiva com a oval a chegar até Nicolàs Martins que marcou o primeiro ensaio luso.

The Lobos came out for the second half looking to change things, but again it was Ireland who scored. Two more unanswered tries followed until Portugal managed to put points on the board: a good offensive line ended with the ball reaching Nicolàs Martins, who scored the first Portuguese try.

Credito: Luis Cabelo

Até ao fim, Portugal continuava a ter bastantes dificuldades em defender (há muito, mas mesmo muito trabalho para ser feito pelo novo treinador de avançados Andi Kyriacou), não conseguindo evitar o desdobramento ofensivo da Irlanda.

O resultado final de 7-106, leva-nos, obrigatoriamente, a uma pequena reflexão. Qual foi o objetivo deste jogo? Pouco se pode aprender com um resultado tão desnivelado. A nível financeiro, o presidente da FPR disse esta semana numa entrevista à Rádio Alfa que era preciso estarem 15,000 adeptos no Jamor para que o jogo desse lucro. Estando cerca de metade desses adeptos no estádio nacional, isso também não aconteceu. E, julgando pelas reações por essa internet fora, este jogo serviu para nos transportar a um passado que pensávamos longinquo e que, afinal, está ao virar da esquina.

Dizem que demora 20 anos a construir uma reputação e apenas 5 minutos a destruí-la. Os responsáveis pelo rugby português fizeram-no em 80 minutos.

Credito: Luis Cabelo
Lusitanos v Warriors
SuperCup 2025